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sábado, 9 de julho de 2016

Eu já teria perdido as contas (se tivesse contato) quantas vezes já ouvi de pessoas que, com muito carinho e zelo, me disseram:
"Com esse teu jeito, nenhum homem vai querer casar contigo. Reavalie teu comportamento para conseguir alguém um dia."

No início isso me irritava demais!
Escuto isso há, pelo menos, 17 anos.
Atualmente tenho muita vontade de rir.

Até porque o "meu comportamento" questionado não é nenhuma das várias características que considero importante mudar para me tornar uma pessoa melhor. Muito pelo contrário, é justamente algo que eu amo em mim: minha forma de tratar as pessoas. É o carinho que eu demonstro emocional, verbal e fisicamente por todos. Indiferente de ser criança, homem, mulher, travesti, bicho-do-mato, animal domesticado, árvore...me relaciono de acordo com minha vontade e, geralmente, minha vontade é meio...humm...como dizer? Exagerada.

Gosto mesmo de abraçar. Gosto mesmo de chamar de amor. De gritar para chamar de longe. De permitir que eu me empolgue por estar feliz ao ver a pessoa. Gosto mesmo de amar de verdade. Porque não depende do outro, depende de mim. E eu me sinto muito melhor quando estou perto, bem perto. Me sinto bem sendo íntima das pessoas. Gosto quando as pessoas confiam em mim para contar seus segredos, suas rotinas, seus medos e coragens. Aprendo muito com isso e ainda me oportunizo não contar para ninguém, o que é incrível, porque não faço o mesmo com minha própria vida...ainda.
Da mesma forma, com a mesma espontaneidade, demonstro o quão chateada fico quando as pessoas se mostram cheias de esquema, ficam escolhendo o que falar, como falar, como abraçar, se pode abraçar ou não, se posso xingar da mesma forma que abraço.

O próximo argumento que escuto é: "Mas assim todos pensam que você é fácil".
"Puta, você quer dizer..?" Eu respondo, geralmente rindo.

E se eu for?
E se eu transar com todos com quem eu tenha vontade e oportunidade?
Não era bem a questão (?), mas o que o número de pessoas com quem eu transo pode interferir na minha vida, nos meus outros relacionamentos interpessoais?
Muito! Interfere muito mesmo!
Não da forma que estamos acostumados a pensar, mas no meu relaciomento comigo mesma.
Não, não vou transar com todo mundo.
Não, não sou obrigada a dar pra você, querido.
Não, não vou transar com teu marido, querida.
O tipo de interferência é muito mais profundo do que a contação de um número.
Influencia no meu bem-estar, na minha sensação de liberdade, na consciência do que eu quero, do que me faz bem, de como gosto de ser tratada, de minhas emoções.
Então, sim, influência pra caramba no meu relacionamento com todos.

Mas a questão inicial era que nem um homem vai querer casar comigo, não é?!
Primeiro: Já fui casada durante 11 anos com um homem maravilhoso e foi com ele que aprendi várias coisas sobre isso.
Segundo: Quem disse que eu quero casar de novo? E, se casar, quem disse que quero casar com um homem?
Terceiro: O que te faz pensar que EU casaria com alguém que não concorda comigo? Que não é parecido comigo? Temos que lembrar que, para alguém casar comigo, eu tenho que casar com a pessoa também. Um relacionamento interpessoal envolve a vontade de mais de uma pessoa.
Eu ainda faço, e talvez passe a vida fazendo, coisas para me apaptar à normas sociais. Faz parte. Afinal, eu preciso mesmo respeitar o outro também. Mas a primeira pessoa que merece meu respeito sou eu mesma. Sou eu quem convive diariamente comigo mesma e tenho a necessidade de me sentir bem constantemente. De me sentir sincera. E não tem sinceridade quando eu não abraço, quando eu não chamo de "amor", quando eu não grito e pulo para abraçar quando sinto vontade.
Também não seria sincera se fizesse isso o tempo todo. Por isso, é normal que eu seja estúpida e que seja irônica demasiadamente. Isso não muda o que eu sou. Pelo contrário, é isso que me faz ser eu o maior tempo possível.

Então relaxa, uma pessoa que se sente bem consigo mesma não tem NECESSIDADE de casar. E, se casar, será para compartilhar e crescer junto, não para ter alguém que faça companhia. Afinal, minha melhor companhia já mora dentro de mim.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Não confunda penumbra com luz


Uma coisa é querer ser iluminada, outra é ser. Negar aquilo que ainda é sombra, só faz com que a mudança não aconteça jamais.
Uma coisa é imaginar o ideal, teorizar sobre, outra é viver e sentir.
E olha que eu sou boa com teorias bonitinhas! Sei bem do que estou falando!
Mas posso dizer que as experiências têm me mostrado que admitir (para mim e para os envolvidos) é melhor que negar aquilo que preciso mudar, aquilo que julgo não-ideal, aquilo que me incomoda. Há um "ponto" específico que define esse "admitir", porque conseguimos falar que admitimos só para nos enganar também. Essa é outra forma de se manter fora da mudança: dizer que admite, vociferar a mudança, quando na verdade não passa de mais uma ilusão para se manter naquela situação que já se tornou nossa zona de conforto porque já conhecemos há muito tempo.
Sabe quando a gente percebe que mudou mesmo? Quando aquilo não incomoda mais. Mas não é tipo um "foda-se", é um não sentir mais vontade nem de mandar se fuder, é não se importar mais mesmo.
E digo que quem chega ao ponto de não se importar mais de verdade com algo que antes era importante, faz grande coisa! Esse está fazendo a tal diferença no mundo que todos queremos fazer. Estão aí os cânceres e todas as doenças "menores" que não nos deixam esquecer o quanto estamos doentes emocionalmente.
Então, em resumo, quando falamos que transcendemos algo, que superamos algo, mas continuamos pensando e falando naquilo (mesmo que seja pelo orgulho de ter superado), é porque não superamos coisa alguma!
É hora de mudar de atitude, porque a técnica usada não está funcionando.

A gente se prostitui toda vez que...


Transa sem vontade, só para agradar ou para impressionar;
Se veste para impressionar o outro;
Fala e faz (ou deixa de fazer ou falar) para agradar o outro;
Presta serviço cobrando um valor menor do que vale;
Mantém um relacionamento (Cônjuge, pai, mãe, irmão,...) porque "é o certo a fazer";
Permanece numa situação incômoda por medo de tentar o novo...
E tantas outras coisas.
Portanto, não se preocupe, quem cobra para transar só está fazendo o que acha oportuno para o momento. Não está fazendo nada diferente do que já fazemos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Se teu objetivo é correr 5 vezes por semana, não é porque você corre [só] duas que deixa de ser atleta.
Se teu objetivo é se comunicar bem, não é porque alguém pediu para você falar que você tenha que falar.
Se teu objetivo é fazer as coisas certas,você não é obrigado a fazer tudo o que te pedem.
Se é manter uma dieta saudável, não é um refrigerante que te fez sair da dieta.
Mantenha-se focado nos TEUS objetivos e permita-se escapar deles quando estiver com vontade, simplesmente...por estar com vontade!
Não desista porque não deu certo na primeira vez. Tente a 302ª se estiver a fim.
Aos poucos, satisfazer a tua vontade será a tua meta e, então, você sentirá que está vivendo plenamente.
Algumas pessoas acham estranho/constrangedor que eu puxe conversa com desconhecidos em locais públicos. Eu acharia estranho não querer conhecer a história de quem ficará sentado ao meu lado na fila do banco por meia hora.
Todos têm uma história que, para elas, é importante; pode ser que pra mim se torne importante também. É uma oportunidade!
Quando a gente acha que tem muito a ensinar, perde a oportunidade de aprender com o outro.

domingo, 1 de setembro de 2013

Qual é a semelhança entre poliamor e ateísmo?



Quando você acredita em Deus, tudo em sua vida é em torno dele; as coisas acontecem ou deixam de acontecer "porque Deus quer". Se você é ateu, a responsabilidade passa a ser sua. É você quem decide e não existe mais "destino".


Quando você é monogâmico, você diz NÃO para "aquela pessoa" com a desculpa que é comprometido; você acredita que se o outro transar com alguém é porque ele deixou de te amar. Quando você acredita em poliamor, você decide com quem sair ou não sair por você mesmo, sem jogar a responsabilidade no outro; se o outro transar ou se apaixonar por outra pessoa, você admite que é um sentimento dele que não depende de ti.


Ou seja, em ambos você admite que a responsabilidade é individual.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Frankenstein: um monstro criado por Vitor ou pelos olhos de quem o condenou?


Eu sou adepta, amante, visionária, protestante e propagandista (e modelo) da inserção de um estilo de vida simples, pois acredito que a nossa procura pela felicidade foi desviada de seu caminho natural.

Enquanto procuramos manter a aparência para os outros, esquecemos (muitos, não todos) de nós mesmos. 
É verdade que quando nos arrumamos nunca é para os outros, mas para nós.

Mas como pode ser para nós, se nos vemos nus todos os dias??? Então...por quê? 
Para nos sentirmos mais "parte desse todo" que diz que precisamos consumir tudo que temos, e então precisamos gastar nosso tempo para adquirir mais para que consigamos consumir mais com aquilo que teremos...
E assim somos escravos. Nossa mente é escrava. 
Escrava, e, por isso, não consegue ser mais criativa. Não consegue viajar um pouco mais. Está preocupada.


E, de repente, na tentativa de aumentar os argumentos para explicar o Frankentein nos dias atuais, digito no Dr. Google "mal vestido", e encontro o menino por quem me apaixonei na primeira vez que o vi. Me apaixonei mesmo sem saber quem era exatamente e quanto tinha em sua conta bancária! Aliás, eu não sabia nem da existência do Facebook naquela época. Me apaixonei pelo que ele estava dizendo para uma platéia de estudantes: dizia que sempre quis tornar sua vida mais simples, sem precisar cumprir horários, sem precisar se vestir conforme a regra mandava.



Aquele dia eu descobri um novo gênio da sociedade moderna. Hoje descobro que foi eleito o executivo mais mal vestido. 
Mais mal vestido???
Quem definiu o que é ser bem vestido?
A sociedade.
A sociedade??? Mas...quem é a sociedade mesmo? 
Eu faço parte?


A reportagem diz que "Além de Zuckerberg, aparecem na lista o executivo-chefe da Apple, STEVE JOBS, por não atualizar seu estilo, e o fundador da Microsoft, BILL GATES.
O estilo do presidente da Adobe Systems, Shantanu Narayen; do cofundador da Foursquare, Dennis Crowley, e dos fundadores do LinkedIn, Reid Hoffman, e do MySpace, Tom Anderson, também é criticado pela revista.Além de Zuckerberg, aparecem na lista o executivo-chefe da Apple, Steve Jobs, por não atualizar seu estilo, e o fundador da Microsoft, Bill Gates. O estilo do presidente da Adobe Systems, Shantanu Narayen; do cofundador da Foursquare, Dennis Crowley, e dos fundadores do LinkedIn, Reid Hoffman, e do MySpace, Tom Anderson, também é criticado pela revista."



EU CONCLUO A LEITURA PENSANDO QUE A LISTA AINDA ESTÁ PEQUENA...
SÓ A CONTA BANCÁRIA ESTÁ CHEIA.

Mas, veja bem, não estou dizendo que gosto de ver pessoas mal trapidas, mau cheirosas....sujeira gera doença. Diferente, bemmm diferente.

A cada dia acredito mais que meu nome é Neila com algum propósito pré-definido....
Todos os meus ídolos se vestem de forma simples e valorizam outros aspectos. Eu posso citar ainda: Patch Adams, Miguel Nicolelis, Gandhi, Jesus Cristo, Buda, Gessinger (Engenheiros do Hawaii), Leindecker (Cidadão Quem), Renato Russo (Legião Urbana), John Lennon,....

Pensando bem, seria bem interessante ouvir Jesus, Buda ou o Gandhi falando: "Não sei com qual roupa eu irei".


O que tudo isso tem a ver com o título?
Vitor Frankentein criou o "monstro" com pedaços de outros corpos, de outros seres humanos. Como todos somos diferentes, o novo ser ficou com uma aparência horrível: cada membro de um tamanho, cores diferentes....
O aparente monstro precisava de alguns conselhos para viver em sociedade, precisava de amigos que convivessem com suas diferenças, mas isso não foi possível, pois nosso primeiro julgamento ocorre pela visão.

O que torna o ser humano um homem/uma mulher aceito na sociedade é apenas a relação, a adaptação, que este tem com a sociedade em que está inserido.


Referências: 

Fundador do Facebook é eleito o executivo mais mal vestido disponível em http://www.clmais.com.br/entreterimento/23725/

SHELLEY, Mary. Frankenstein. 1818.


domingo, 1 de abril de 2012

Eu sei, e deveria reagir!

Aqui está um texto bom sobre o nosso estilo de vida, não garanto a autoria, já que hoje em dia isso é difícil de ter certeza, mas vale a pena porque fala da nossa acomodação. Apesar de que eu ainda não me acostumei. Não só não me acostumei com a falta dos pássaros cantando (e ter que ouvir os carros passando), as muitas estrelas ou até os grilos, como também me convenço a cada dia que a vida não vale a pena se for assim. Nossos objetivos estão em torno de comprar. Trabalhar para comprar, descansar para trabalhar e trabalhar e trabalhar...sem parar, para poder comprar mais e mais. As pessoas são criticadas (eu sou criticada!) quando falam que é possível trabalhar menos, muito menos, e viver melhor que agora.Precisávamos parar com esse costume de ser escravo, mas eu já perdi as esperanças. As pessoas não querem e acham ridículo trabalhar menos e viver mais....Mas enfim, segue o texto:





Eu sei, mas não devia (Marina Colasanti - 1972)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, 17 de março de 2012

Algumas lições que eu jamais deveria esquecer

  1. Eu sou a única pessoa responsável pela minha vida. Se eu estiver bem de saúde e com as contas pagas já é um grande começo;
  2. Não devo interferir na vida alheia, a menos que eu queira encrenca para minha vida;
  3. O que os outros pensam de mim é problema deles, mas se um dia eu depender deles, então será problema meu;
  4. Quando eu assumir alguma responsabilidade em grupo, devo estar consciente que preciso ter capacidade de assumir sozinha. Pode ser que os outros integrantes esqueçam suas responsabilidades ou precisem se libertar delas por alguns momentos;
  5. Preciso confiar em alguém. Que graça teria a vida sem poder confiar em alguém? Portanto, preciso de um gato ou um cachorro. Até uma cobra domesticada pode quebrar o galho;
  6. Objetivos servem para tornar a vida eloqüente e me convencer que vale a pena continuar. Se eu não alcançá-los, tudo bem, devo trocá-los e jamais lembrar que a vida não tem sentido algum;
  7. Dividir faz bem pra todos, mas é uma escolha. Posso negar a comunhão e conhecer o poder do outro;
  8. Favores são necessários para trocas futuras, mas nunca devo pedir para que alguém faça algo que eu não seja capaz de retribuir;
  9. Hierarquias servem, literalmente, para mostrar quem tem mais poder. Devo respeitar isso e nunca falar mal de quem está acima ou humilhar quem está abaixo de mim, pois as Hierarquias são muito inquietas e não gostam de ficar sempre no mesmo lugar;
  10. Cuidar da natureza, do corpo e do próprio dinheiro é um ato totalmente egoísta e, por isso, bom: estou garantindo meu futuro saudável;
  11. Trabalhar é bom, satisfaz o corpo e a “alma”, mas há muitas outras atividades interessantes que eu não posso deixar de fazer;
  12. Sexo é tão importante quanto comer, urinar, defecar, dormir ou fazer qualquer outra atividade física. Não é esse bicho que estão falando há alguns séculos;
  13. Ler me torna uma pessoa mais criativa e pensante, por isso, mais feliz;
  14. Todos os relacionamentos acabam. Posso começar outro tipo de relação com a mesma pessoa, se ambos quiserem.
  15. Minha própria companhia deve ser sempre a melhor. Se não estiver satisfeita, está na hora de melhorar, não de procurar alguém para me satisfazer;


    terça-feira, 31 de janeiro de 2012

    Como criar um POVO IDIOTA

    Nesse vídeo o narrador descreve como “poderia” ser criada uma sociedade totalmente dominada e voltada aos interesses de poucos.
    Eu concordo com muitos dos comentários, mas também não podemos fechar os olhos e sempre culpar os outros pelo nosso insucesso.
    Nosso Diabo virou o governo há um tempo, precisamos desmistificar isso.
    Como o vídeo cita 10 características desse “plano de governo” e os comenta, eu também o farei, mas não terá muito sentido ler sem ver o vídeo.
    Segue:








    1- Acabar com a educação de qualidade.
    Não acredito que seja a escola quem tem a obrigação de dar educação. Ok, talvez fosse, pela lei. Mas na escola a criança tem que, principalmente, aprender a conviver com pessoas diferentes dela e cumprir metas. A educação, o ensino, a aprendizagem, precisa acontecer em casa, o que eu vejo em poucos casos.

    2- Dar oportunidade para poucos.
    Os concursos públicos estão aí, pra quem quiser. É difícil passar? Sim! É mais fácil com cursinhos? Sim! Mas conheço pessoas (eu, inclusive) que passou sem cursinho, estudando no tempo vago.
    A UFFS fez muitas chamadas e nem fechou algumas turmas. Estou falando de Universidade Pública (Gratuita!). Nem que fosse pelo canudo...mas a oportunidade está aí. Aproveita quem quer e tem coragem.
    Bons atos jamais haverão de ser reconhecidos..? Bem, depende o que é reconhecimento. Salário? Fama? É daí precisa ser jogador de futebol famoso mesmo.

    3- Criar uma mídia inútil.
    a) Peraí! A Globo não é burra, ela tem equipes que pesquisam o que o povo quer ver. Não é o povo que vê o que a mídia quer mostrar, é a mídia que mostra o que o povo quer ver. Não acha?
    Além disso, ninguém é obrigado a assistir TV. Ninguém é obrigado a ter TV em casa, aliás.

    4- Garantir que o sistema de saúde seja horrível.
    É, pois é...SUS ainda é um dos poucos Sistemas de Saúde público ou é o único?

    5 - Cobrar altos impostos.
    Pois é, tô pensando em parar de pagar IPVA....

    6- Garantir a impunidade.
    Sempre achei que cadeia melhora o bandido: ele aumenta as experiências com as histórias dos outros. Mas não sei qual seria a solução.

    7- Tudo tem que não funcionar.
    Minha carteira do COREN chegou 3 anos depois do pedido, as estradas são cheias de buracos, mas não tenho problemas com os Correios, nem com água ou luz ou telefone.

    8- Promover o desemprego.
    Como diz o documentário "Da Servidão Moderna", o desemprego existe para aquele que tem agradecer, mesmo com salário baixo. Mas como já disse: os concursos públicos estão aí. Alguns não pagam tão mal assim e dão oportunidade de trabalhar menos tempo/dia.

    9- Jamais investir em tecnologia.
    Não conheço sobre isso.

    10- Empregar mágicos no governo.
    Por “mágicos” entende-se pessoas com capacidade de duplicar/triplicar sua própria renda depois de eleitos.
    Pois é, colocássemos, pelo menos, alguém que entenda realmente de alguma coisa...

    domingo, 29 de janeiro de 2012

    Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó

    Ontem fiz uma visita à UHE Foz do Chapecó, a quarta Hidrelétrica do Rio Uruguai, situada entre as cidades de Águas de Chapecó/ SC e Alpestre/ RS. Fiz o percurso da casa da minha avó até lá a pé e, como imaginava, é uma experiência totalmente diferente e magnífica. Jamais poderia se comparar ao passeio de carro. Minha experiência pessoal foi um misto entre fascinação e tristeza nos quase 12 Km percorridos. Muito bom ver as paisagens e o acesso a elas, mas péssimo ver a deficiência deste, a falta de água no rio e os lixos jogados no mirante.







    Nosso "Rio de Águas Profundas" está praticamente seco a partir da barragem até se unir com o Chapecó. Além da deficiência da mata ciliar, que já se notava antes da construção, o fechamento das comportas e a seca fizeram com que um trecho de aproximadamente 6 km ficasse praticamente seco.





    É bonito e triste ver as pedras e os pequenos poços de água onde há pouco tempo se via um lindo rio. Muito mais triste que bonito. O que se vê é um pequeno riacho na margem esquerda, o que não corresponde a 20% do total do rio.
    No entanto, o trecho é lindo. Eu, que gosto de ecoturismo e prefiro rural a urbano, fiquei maravilhada. É uma paisagem que permite somente paz: campos verdes, limpeza, silêncio e animais. Magnífico! Sinto êxtase ao lembrar.









    É inevitável imaginar que seria maravilhoso a prática de cicloturismo ali, não fosse a ausência de espaço na Rodovia. Não há meio metro sequer para passeios de ciclistas ou pedestres. Sem contar que, apesar das muitas placas informando a velocidade máxima de 60 km/h, os poucos carros que passaram por mim na manhã de ontem (geralmente moradores do local) simulavam uma pista de corrida, mesmo numa Rodovia tão estreita, com muitas curvas e o perigo de animais na pista.



    Ao chegar no mirante, em Alpestre, o que vi foram muitos lixos jogados logo abaixo. Decepcionante. As pessoas certamente não pensam e, mesmo com tanta divulgação e campanhas de conscientização, não sabem da importância em não poluir e separar o lixo. Olhei ao lado e vi três lixeiros, a falta deles não pode ser desculpa pra tanto lixo: garrafas e copos descartáveis, latas de cervejas e refrigerantes, tocos de cigarros...É, tem de tudo demais!
    Mas o lago formado pela Usina, não posso negar, é desafiante! A vontade de entrar na água foi grande. Pena eu ter sido descuidada e levar a máquina com pouca bateria.

    Saí de lá com poucas boas esperanças, mas espero que seja possível a prática de ecoturismo, pelo menos. E, com isso, espero que as pessoas que visitem percebam o quanto fazemos mal ao nosso ambiente e que passemos a fazer nossa parte gastando menos luz, menos matéria-prima, separando o lixo, plantando  mais árvores e preservando as poucas que temos e que exigindo energia limpa antes que acabemos com todos os nossos rios, ou que sobrem poucos.




    terça-feira, 20 de dezembro de 2011

    PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

    Eu, filho do carbono e do amoníaco,
    Monstro de escuridão e rutilância,
    Sofro, desde a epigênese da infância,
    A influência má dos signos do zodíaco.

    Profundissimamente hipocondríaco,
    Este ambiente me causa repugnância…
    Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
    Que se escapa da boca de um cardíaco.

    Já o verme — este operário das ruínas —
    Que o sangue podre das carnificinas
    Come, e à vida em geral declara guerra,

    Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
    E há de deixar-me apenas os cabelos,
    Na frialdade inorgânica da terra!



    Augusto dos Anjos

    sábado, 17 de dezembro de 2011

    ‎"Vou comer em cima da cama"
    "Ih, mas tá sem o lençol impermeável"
    "ah, não dá nada, eu cuido"

    "vixx....M***...pega o papel toalha! Derrubei molho no colchão novo"

    :P

    Super-heroína

    Eu descobri, e agora posso responder quando me perguntam porque curso letras. Não é só porque é área da educação, por ser um dos pilares da sociedade. Sim, é. Mas coincidentemente quero a área da saúde E a da educação não só "para salvar o mundo". Literatura é o que ME salva. Afinal, não ajudarei ninguém se eu não estiver bem.
    Descobri essa resposta lendo uma boa crônica de uma porto-alegrense feliz que escreve para o Blog da Companhia das Letras. Hoje me sinto mais feliz por isso.

    http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/a-maior-das-transgressoes/

    sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

    Você entende?

    Casal preparando-se para sair. Ela uns 40 e poucos anos, ele 50.

    Ela pede:

    – Me fecha atrás?

    Ele:

    – Ahn?

    – O vestido, Sergio. Fecha o vestido.

    – Ah.

    Ele tenta fechar o vestido dela atrás mas não consegue. Em vinte-cinco anos de vida conjugal é a primeira vez que tem dificuldade em fechar o vestido dela atrás.

    – O que foi, Sérgio?

    – Calma, Dulce. Preciso me concentrar.

    Ele finalmente consegue fechar o vestido.

    – Pronto. Dever cumprido.

    – O que você tem, Sérgio?

    – Por quê?

    – Parece distraído. E ainda não terminou de se vestir. Nós vamos chegar tarde no jantar.

    Ele senta-se na cama.

    – Dulce, eu vou confessar uma coisa.

    Dulce olha para o marido com surpresa. Uma confissão? Que confissão? Uma amante? Um problema na firma? Estamos arruinados? O quê?
    ***

    – O quê, Sérgio?

    – Eu nunca entendi o que o Pato Donald dizia.

    Dulce controla a vontade de bater no marido.

    – Que loucura é essa, Sérgio?

    – Passei toda a minha infância fingindo que entendia, mas não entendia. Você entendia?

    – Por que isto agora, Sérgio? Você está muito estranho.

    – Eu ria mas não entendia. Era um riso falso.

    – Sérgio, por amor de Deus. Vamos parar com essa loucura e acabar de nos vestir. Já estamos atrasados e você nem...

    – Eu não devia ser o único. Muito mais gente não entendia o Pato Donald.

    (Luis Fernando Veríssimo)

    Atletas e técnica do basquete de Chapecó são campeãs pela seleção catarinense

    Com certeza o projeto Atletas do Futuro ajuda a descobrir muitos talentos escondidos.




    http://www.chapeco.sc.gov.br/noticias/2080-atletas-e-tecnica-do-basquete-de-chapeco-sao-campeas-pela-selecao-catarinense.html

    Você é um ser humano, um ente moral, com discernimento e consciência

    Vamos – estava dizendo a truta. - Pelo menos uma vez na vida, seja decidido. Me escolha e me condene à morte, ou me deixe viver. A decisão é sua. Eu não decido nada. Sou apenas um peixe, com cérebro de peixe. Não escolhi estar nesse tanque. Não posso decidir minha vida, ou a de ninguém. Mas você pode. A minha e a sua. Você é um ser humano, um ente moral, com discernimento e consciência. Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. Você tem uma biografia para decidir. A minha. Agora. Depois pode decidir a sua, se gostar da experiência. O que não pode é continuar se escondendo da vida.


    Luis Fernando Veríssimo em O Olhar da Truta, de seu novo livro Em Algum Lugar do Paraíso

    sábado, 26 de novembro de 2011

    Querida - Dalton Trevisan

    - Olha, ali um restaurante. Quanto carro. Sinal que é boa a comida.

    - Mais uma horinha na estrada e chegamos em casa.

    - Você com essa eterna mania de não parar.

    - Ta bem.

    - Ih, tanta gente. Apresse o garçom. Tô morrendo de fome.

    - Ei, Garçon. Nós queremos isso e aquilo. Bem rapidinho, por favor.

    - Veja lá, aquele casal entrou depois de nós. E logo foi atendido.

    - Paciência, meu bem. Mais um pouquinho.

    - De novo. Ali, esse pessoal chegou mais tarde. E já tão servidos. Você não saber nem cobrar do garçom.

    - Ah, é? Quer pressa? Olha aqui, seu garçom de merda. Traz já a comida ou...

    - Ih, que vergonha. Você é um grosso. Não tem educação. Só dá espetáculo.

    - Amor, fiz isso por você. Se não me...

    - Sempre sou humilhada em público. Foi a última vez.

    - Mas querida...

    - Nunca mais entro num restaurante com você. Nunca mais, ouviu bem?

    - ...

    - E não sou tua querida!

    Craquinho - Dalton Trevisan

    Eu tava três dias fumando horrores. Sem comer. Sem dormir. Só queimando a pedra. Você para, a fissura te pega. Já se perde numa nóia de veneno.

    Não é como outra droga, não. O craque. Cê não consegue largar. Quer mais um. Mais um. E mais um.

    É diferente porque ele você ama.

    Só dez segundinhos. Fatal. Te bate forte no peito. O bruto soco na cabeça. E o mágico tuimmm!

    Na pedra, sabe? Tem um espírito vivo. Daí o craquinho fala direto comigo:

    – Vai, Edu. Vai nessa, mermão!

    Cê fica o tal. Olho de vidro, o polegar chamuscado, acelero alto. Mais força e poder. O pico de zoar no paraíso.

    E já no inferno. Isso aí, bacana. O teu inferno sem volta.

    Fatal.

    O Amante - Dalton Trevisan

    - Estava no boteco da esquina. Um tipo faceiro me perguntou: Você é o José? “Sou”. Tua mulher é a Joana? “Por que pergunta?” Sou amante dela.

    - Barbina.

    - Na hora pensei em acabar com o vagabundo. Guarda municipal, ando armado. Sorte que ele trazia uma criança pela mão. Desisti. Essa mulher na mesma hora saiu da minha vida. Nem sei se ainda existe.

    - Nunca mais viu?

    - Vi, sim. Uma vez. Fui descer do ônibus. Ela se bateu em mim. Me cuidou no olho, muito assustada. E sumiu no meio do povo. Parei e espiei pra trás – lá se foi, rebolando. Linda no vestidinho vermelho curto.

    - ...

    - Que desgracida, hein!